Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

E que tal um Centro Cultural?!

A comunicação que se segue, foi apresentada numa reunião da Assembleia Municipal e teve a resposta que também transcrevemos....

Assinado que foi, no dia 6 de Março p.p., o protocolo de colaboração entre o Município de Almada e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e lançado que está o Plano de Valorização e Desenvolvimento do Turismo do Concelho de Almada, é tempo de reflectir sobre estes documentos e apresentar, numa atitude construtiva, propostas que esperamos venham a ter acolhimento.

 

Queremos saudar este acontecimento e reafirmar que o Grupo do P.S. na Assembleia Municipal reitera todas as posições assumidas durante a campanha eleitoral autárquica sobre as questões do turismo e do seu desenvolvimento sustentável.

Queremos igualmente saudar a qualidade dos materiais e da imagem dos desdobráveis da campanha «Almada Turismo» que reputamos dos mais bonitos e bem conseguidos de muitos que temos visto por essa Europa fora.

 

Mas, diz o Boletim Municipal, sobre este assunto que apenas daqui por ano e meio teremos Plano Estratégico para o Turismo.

·        Porque esperámos por 2006 para nos lançarmos numa área que os sucessivos executivos da CDU vinham prometendo há muito e que todos sem excepção consideravam prioritário no Concelho?

Lembro que nas comemorações dos 10 anos do poder local (há vinte anos, portanto) já essa era a promessa emblemática e de mão cheia do executivo da CDU…

Porque demorámos tanto a chegar lá?

·        Porque foi preciso um projecto Polis lançado e sustentado pelo P.S., para desencadear então esta vontade?

·        Porque perdemos o tempo de uma geração para intervir numa área que todos sem excepção, confirmam ser a área de maior potencial económico deste Concelho?

·        Porque razão só agora constatámos que os 600 mil peregrinos anuais do santuário do Cristo-Rei (o segundo a nível nacional, depois de Fátima a acolher a visita das peregrinações internacionais!) são uma riqueza que tem estado adormecida e até ignorada pelos sucessivos executivos CDU, camarários e de freguesia que nem sequer sinalética de acesso colocam, em Cacilhas?

·        Porque é que um «desígnio do Concelho», segundo as palavras do Sr. Vereador Matos, já agora 30 anos após a Constituição que consagra o poder local democrático, por que razão só agora descobrimos que a Costa da Caparica tem 800 mil visitantes no Verão e, apesar do clima excelente que temos, no Inverno sofremos as dores da sazonalidade?

·        Por que razão nos contentámos durante anos com o que sobrava do turismo de Lisboa, se nós temos uma frente de praias que mais nenhum concelho português tem?

 

Do nosso ponto de vista há diversas explicações, mas a que preferimos é a da falta de visão estratégica para o desenvolvimento e a dificuldade de lidar com soluções que poderiam abrir as portas à Igreja e /ou aos capitalistas.

 

Mas, do que se trata agora é de saudar a decisão (embora tardia) e convidar os responsáveis pelo desenvolvimento do projecto a reflectirem sobre uma proposta específica.

 

Se as duas principais ferramentas do projecto são a diferenciação da oferta turística e a sustentabilidade dos projectos âncora, o grupo do PS na A.M. quer apresentar uma proposta:

É desejável que o turismo no Concelho de Almada seja atractiva para nacionais e estrangeiros;

É desejável que apresente propostas que ainda não estejam contempladas noutras cidades, nomeadamente em Lisboa;

É desejável que as propostas contenham algo da vida ou da memória das gentes de Almada;

É desejável que qualquer proposta não seja “mais do mesmo”, ou seja, que não se concentre nas belezas naturais, porque todos as têm, que não se concentre na gastronomia, porque todos o fazem, que não se concentre nos espectáculos, porque Lisboa está logo aqui ao lado e há aí muita oferta.

 

Sugerimos, então, o investimento na cultura.

·        Almada é cidade educadora.

·        Almada tem vida universitária quer pública quer privada.

·        Almada já tem um dos melhores festivais de teatro da Europa.

 Cremos portanto que investir num Centro Cultural Fernão Mendes Pinto será uma boa solução.

·        Fernão fixou a sua residência em Almada nos últimos anos da sua vida e aqui reflectiu demoradamente sobre as vivências de 21 anos no Oriente.

·        A sua obra está traduzida em várias línguas, desde o holandês ao inglês, logo, é conhecido pelos estudiosos desses países;

·        A sua obra transfere da sua privilegiada memória, para o nosso conhecimento tudo o que foi observado no oriente do Japão a Goa: a fauna, os usos e costumes, aos tormentos dos oceanos …

·        Serviu de fonte a vários escritores seus contemporâneos, como sejam João de Barros e Giovani Botero.

 

Pensamos, pois, que esta sugestão tem condições para vingar.

Os povos orientais estão cada vez mais na Europa e desejarão ver como os Portugueses se confrontam com a sua cultura e como foram observados no século XVI, por um português notável.

Os turistas do norte da Europa decerto vão apreciar que um país que na era dos Descobrimentos foi tão venturoso nas suas pesquisas, concentre algo sobre culturas que nos são, ainda hoje, um pouco estranhas.

Criemos condições de segurança e melhoremos a ocupação humana da paisagem do nosso concelho e teremos condições de criar postos de trabalho proporcionando a trabalhadores e consumidores uma Almada mais atraente para uns e para outros.

Na revisão do PDM, no Plano de Pormenor na zona do Cristo-Rei, esta ideia poderá ser contemplada, tendo em conta que o ordenamento do território é uma das condições primordiais para um Turismo de qualidade e que as opções pela localização de determinados equipamentos pode e deve condicionar outras opções menos nobres.

Sugerimos ainda parcerias com a Universidade Católica que tem um Instituto de Estudos Orientais, com a Diocese de Setúbal, com a Fundação Oriente …

Este é, por agora o nosso contributo para um plano que reputamos de indispensável e muito promissor.

O nosso desejo é que este Plano que agora arranca, torne Almada um território mais acolhedor para quem queira usufruir dos seus recursos naturais, aumentando-se a oferta cultural e turística disponível. Pretende-se que, quer residentes quer turistas, sintam que as imagens oferecidas na Televisão pelo executivo municipal estão mais próximas da realidade que se pretende.

Almada, 28 de Abril de 2006

 

 

Resposta da Presidente da Câmara:

"...é que nós não trabalhamos tipo cartola, portanto tirar os coelhos da cartola, e agora vem uma ideia assim e agora temos a solução para o mundo e para todos. E portanto com invenções de ocasião, não. Nós os processos que desenvolvemos são processos que são construídos com base em conhecimento técnico ou cientifico e com a participação dos cidadãos, com a participação dos autarcas, com a participação das entidades, das instituições. É assim que trabalhamos. E o Plano Estratégico de Valorização e Desenvolvimento do Turismo, não será nada saído da cartola, será o resultado da intervenção e da participação de técnicos, políticos, cidadãos, e é esse o processo que está em marcha e que vai ser desenvolvido e que os Srs. Deputados e os cidadãos e as instituições e as empresas vão ter a oportunidade de participar. Nós temos ideias muito mais inovadoras do que a Sr.ª Deputada aqui apresentou, muito mais inovadoras. Não vou por enquanto referi-las porque penso que essas ideias inovadoras devem ser apresentadas no tempo certo, no tempo adequado. Ou seja no contexto e se forem ajustadas, se forem elas próprias reconhecidas pelos cidadãos, pelos interessados, por todos nós, é importante que sejam de todos e não para fazer uma bandeirinha porque estou mais à frente, tive esta ideia e agora fui eu, sou melhor. Há ideias inovadoras, muito interessantes, mas que naturalmente a seu tempo serão objecto de uma apreciação, discussão alargada de um contexto que parte de um diagnóstico, de uma visão, de ideias dos cidadãos e dos agentes, de todos os agentes, e portanto é um processo de construção em consenso de um projecto que tem que ser dos almadenses e não deste, daquele ou do outro. E portanto, penso que temos trabalhado nesse sentido e dentro destas metodologias, tem dado bons resultados e penso que é por aí que devemos continuar a trabalhar porque é assim que entendemos a construção das visões para o futuro."

publicado por motssa às 11:51
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2 comentários:
De Local a 16 de Janeiro de 2007 às 00:04
O meu comentário é para a resposta da Presidente :
Ela fala muito. É um autêntico papagaio.
Os papagaios também falam, mas não comunicam nada!
De Anónimo a 16 de Janeiro de 2007 às 00:22
Não será um equívoco pensarmos que a CMA esteja realmente interessada numa Cultura para servir os almadenses?
Tal como o Estado Novo, esta Câmara quer ter a Cultura sob controle. Não é o SNI ou o Lápis Azul, mas é a mesma coisa com outra designação ou sem designação alguma.
Somos nós ou é dos nossos ou é nossa ideia ou então não é cultura. E isto é quanto basta para estes camaradas !

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