Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

ENTREVISTA

 

 
22 DE ABRIL DE 2009
Paulo Pedroso Candidato à Câmara Municipal
“Recuperar décadas que Almada perdeu com o PCP ”
 
“O maior desafio político da minha vida” é como Paulo Pedroso classifica a sua candidatura à presidência da Câmara de Almada, até porque, explica, “o tempo que se perdeu com 35 anos de gestão do PCP, quero recuperá-lo nos próximos oito”.
Em entrevista ao “Acção Socialista”, o candidato do PS considera que “as potencialidades naturais” do concelho precisam de outro aproveitamento, como, por exemplo, a “jóia da coroa” que é a frente de praias da Costa de Caparica, “deixada ao abandono” por uma gestão camarária “cansada e incapaz de gerar projectos de futuro”.
 
 
Gerir uma câmara é um desafio que o motive?
 
É o maior desafio político da minha vida. Quando Eduardo Pereira há 12 anos atrás me falou pela primeira vez em candidatar-me, era eu presidente da Concelhia, achei que ainda era demasiado novo. Acho, sem falsas modéstias, que o que fiz nas políticas sociais, no emprego, no lançamento de novas políticas, me deu uma experiência que me permite estar agora preparado para esse desafio.
 
Muitas pessoas associam Almada com o PCP. Acha possível ganhar a câmara?
 
Claro. Basta ter o melhor programa e maior capacidade de ouvir os cidadãos que os outros candidatos e estou totalmente empenhado em ambas as tarefas. Em democracia não há eleições ganhas antes de acontecerem e os eleitores são os únicos donos dos seus votos. Trinta e cinco anos depois, o PCP tem uma gestão cansada do concelho, está voltado para o seu passado, é incapaz de gerar projectos de futuro. A actual presidente de câmara leva 22 anos de mandato.
Se a limitação de mandatos autárquicos não tivesse uma cláusula excepcional nem sequer poderia candidatar-se e será lançada apenas para tentar enganar os eleitores.
 
No PCP os candidatos são descartáveis.
 
Os eleitores não sabem em quem votam. Seja quem for que se apresente é o Comité Central que decide quem fica e quem sai. Não precisamos de ir longe para o saber.
 
Veja o que aconteceu neste mesmo mandato na Moita e em Setúbal.
 
Como vê hoje o papel de um presidente de Câmara?
 
Diria que é o médico de família da vida urbana. Não deve interferir no que funciona bem e deve corrigir o que funciona mal para que se libertem mais energias para potenciar os aspectos positivos.
 
Deve procurar as doenças, com bons diagnósticos quando elas ainda não são visíveis a olho nu e evitar que elas se desenvolvam. Tradicionalmente via-se o presidente de câmara como o governador de cidade, alguém que procura controlar tudo, que vive mal com poderes exteriores a si. Essa atitude não corresponde às necessidades de gestão das grandes cidades, nas quais o presidente de câmara tem que estar sempre em articulação com o Governo, com as empresas, com os representantes dos trabalhadores e dos cidadãos.
 
Que visão tem para Almada?
 
Vejo-a como a cidade entre águas, que vai do Tejo ao mar, como núcleo urbano fundamental de uma grande cidade do sul do Tejo, conjuntamente com o Seixal, o Barreiro e Sesimbra. Juntos, os nossos municípios fazem uma nova centralidade que pode e deve competir com Sintra e Cascais. Não há razão para não competirmos com esses concelhos. Falta-nos é protagonismo e estratégia.
 
Nas últimas décadas, Almada tem procurado ser o braço esquerdo de Lisboa. Essa estratégia permitiu o crescimento do concelho.
 
Mas esse crescimento foi desordenado, criou pressões insuportáveis sobre as acessibilidades, dificultou a afirmação da vida urbana própria e, sobretudo, assenta num enorme sobre esforço das populações apanhadas no movimento pendular.
 
Vejo Almada como parte de uma cidade do sul do Tejo, que usufrui da sua pertença à Área Metropolitana de Lisboa, mas que se afirma nela autonomamente.
 
As potencialidades naturais do concelho precisam de outro aproveitamento: a frente de costa, a frente ribeirinha, o ambiente urbano, os equipamentos sociais fazem de Almada, se bem gerida do ponto de vista urbanístico, o ponto onde se pode encontrar a melhor relação qualidade/preço para diferentes estilos de vida urbanos, como para a localização económica que dependa de força de trabalho de qualificação intermédia e superior.
 
Nessa visão da cidade, que papel têm as praias e a Costa da Caparica em particular?
 
A frente de praias é a nossa jóia da coroa, mas tem sido muito maltratada. Esta é a grande praia da capital do país, tem relevância e interesse nacional, mas tem sido deixada ao abandono. O Polis começou a inverter a situação, mas quase tudo está por fazer.
 
Da Trafaria à Fonte da Telha, devemos ter uma visão integrada, que obedeça ao conceito de praia de todo o ano e combata a forte sazonalidade. Temos que criar condições de acessibilidade que permitam a todos o acesso à praia mas não pactuem com o caos e a desordem a que assistimos, nomeadamente no estacionamento. Há, naturalmente, uma capacidade de carga que não pode e não deve ser ultrapassada. O que não percebo é porque é que o acesso, dentro desse limite, tenha que ser desconfortável.
 
A minha ideia é a de que deve haver parques de estacionamento bem delimitados e acessíveis, o estacionamento desordenado não deve ser permitido e deve ser criada uma navette ecológica, em que um meio de transporte público garanta o acesso de todos a todas as praias.
 
Quem quiser ir de carro até à areia, naturalmente terá que pagar essa comodidade a partir do momento em que haja uma boa alternativa de transporte público.
 
Evidentemente, que o metro tem que ser completado e chegar à Costa o mais depressa possível.
 
É uma das grandes prioridades do primeiro mandato.
 
Mas o metro do Sul do Tejo não é um grande investimento no concelho?
 
Claro. O problema é que este é um grande projecto mal gerido. O traçado, no concelho, foi da responsabilidade da Câmara Municipal e desde cedo que se percebeu que tinha vários erros. A localização das estações também não é, em mais que um local, a adequada. As obras foram mal geridas. Devemos ao PCP de Almada três anos a mais de obras e três anos a menos de fruição do metro. Acresce que tudo foi atabalhoadamente planeado, nada foi faseado. As dificuldades da CDU em gerir processos complexos fizeram Almada perder cinco anos em obras, fizeram os agentes económicos, nomeadamente os comerciantes perder muito dinheiro e provocaram aos cidadãos um incómodo tal que muitos se viram contra o metro, que é, afinal, um grande progresso.
 
Quer isso dizer que acha que a relação do metro com a cidade não está a correr bem?
 
Não é só o metro. O Plano de Mobilidade actual não funcionou.
 
Agora há que revogá-lo imediatamente e começar de novo para repor ordem na circulação na cidade e acabar com o actual tormento e a dor de cabeça que é atravessá-la hoje.
 
A situação que descreve é extremamente prejudicial para o concelho.
 
Está a matar o centro urbano e isso pode ser fatal para as aspirações da cidade. No século XXI uma cidade tem que ser viva a todas as horas do dia, respeitar diferentes estilos de vida e uma cidade sem centro não o consegue ser. Quero o comércio a abrir mais cedo, a fechar mais tarde, a trazer mais pessoas para o centro, a que elas se sintam seguras e a que do centro irradie para todo o concelho uma vitalidade compatível com as exigências dos munícipes. Aliás, em Almada os munícipes fazem coisas admiráveis. Estão é muito desapoiados.
 
Mas o concelho tem também grandes problemas sociais.
 
Sem dúvida. Desde logo o problema da habitação continua por resolver. Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril continuam a crescer os bairros clandestinos, continua a haver bairros sem água canalizada e construíram-se se guetos que são um barril de pólvora à espera de explodir. A política de habitação do município é decepcionante. Bem perto de nós, municípios que tinham problemas de habitação mais graves há uma décadas já os resolveram ou estão à beira de resolver, em Almada, para já, reina a impotência e o erro. A má política de habitação potencia todos os outros problemas sociais e convive com um apartheid social, com um concelho fracturado que não pode deixar tranquila nenhuma alma de esquerda.
 
Essa fractura social pode gerar outros problemas?
 
Já está a gerar. Ainda não somos uma cidade insegura, mas cresce o sentimento de insegurança e é preciso cortar esse mal pela raiz.
 
Perspectiva, então, muito trabalho à sua frente?
Por isso disse que é o maior desafio político da minha vida e, digo agora, é o mais difícil. Porque o tempo que Almada perdeu nestes trinta e cinco anos com o PCP, quero recuperá-lo nos próximos oito. Não me cansarei de pedir aos eleitores de Almada que não deleguem noutros a sua escolha nas autárquicas. Nas últimas eleições, mais de metade dos eleitores ficou em casa. Estavam cansados do actual poder mas não acreditaram nas alternativas.
 
Vou fazer tudo para que desta decidam ir votar.
publicado por motssa às 10:58
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