Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

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A Quadra de Abril/ Maio
 
Há poucos dias atrás fui ouvir o Carlos Alberto Moniz cantar em Évora. Nesse concerto, o Carlos, com a sua natural bonomia e sinceridade, fez uma analogia do 25 de Abril à quadra natalícia, traduzida mais ou menos nestas palavras: “Já viram que o 25 de Abril é o Natal dos Democratas? Reunimo-nos todos dia 24 à noite, à espera da meia-noite, para cantarmos juntos a Grândola Vila Morena. E uma semana depois, tal e qual como no Natal, estamos todos juntos de novo no dia 1, desta vez para comemorar o 1.º de Maio, com desejos de justiça para um novo ano”.
A simplicidade e força desta analogia tocou-me particularmente, e dei comigo a pensar como Homens como o Carlos continuam, 35 anos depois, a reinventar formas de passar, através da cantiga e da palavra, os ideias de Abril para a geração mais nova. De forma simples, e positiva. Acreditando verdadeiramente em Abril e nas suas conquistas.
A forma como se olha para as conquistas de Abril diz muito do nosso comprometimento com os mesmos.
Vejo por aí uma certa tendência para pôr em causa as conquistas de Abril. Uns, em manifesta atitude provocatória, pretendem comemorar o 25 de Abril com a renovação de um Largo Urbano a quem, num suposto espírito tolerante e democrático, colocam o nome do velho e odioso ditador… Enfim, não há palavras que possam qualificar tal aberração.
Mas vejo também alguns, armados em únicos guardiães de Abril, com um discurso que de inconformista com as conquistas de Abril não tem nada: debaixo de uma capa de inconformismo, tudo colocam em causa no processo de desenvolvimento do País dos últimos 35 anos, ignorando que temos hoje, apesar de tudo, uma vida bem melhor do que a 24 de Abril de 1974.
Esses supostos guardiães de Abril tudo fazem para menorizar as conquistas do Serviço Nacional de Saúde. Tudo fazem para menorizar a conquista da Segurança Social Pública e sustentável. Tudo fazem para menorizar o aumento do grau de instrução dos portugueses. Tudo fazem para menorizar as conquistas de igualdade entre Homens e Mulheres. Tudo fazem para menorizar a protecção social que hoje existe no nosso País.
Existem desigualdades a combater? Claro que sim. É preciso haver uma mais justa redistribuição da riqueza? Claro que sim. A prestação pública de cuidados de saúde deve melhorar? Claro que sim. A democracia precisa de ser mais aprofundada? Claro que sim, está no seu próprio “ADN”. É preciso garantir mais e melhor Escola Pública? Claro que sim.
Mas é a menorizar as conquistas que todos fizemos desde Abril que se alcançam novas conquistas? Não me parece. A atitude de quem tudo critica não honra as conquistas de Abril e não se chama inconformismo. Tem outro nome: oportunismo. O oportunismo de quem explora as dificuldades dos outros como arma de arremesso político-partidário, mas que na sua prática, da Câmara de Almada, se permite realojar pessoas diferentes que não se conhecem na mesma casa, numa clara atitude de insensibilidade social, contrária aos valores de Abril.
Abril é esperança. Abril é Futuro. Abril é tolerância na diversidade de opiniões.
E então chegamos a Maio. Celebramos a conquista de um movimento sindical livre, longe de tutelas partidárias e contrário ao sistema de sindicato único. Sim, porque uma das grandes e primeiras conquistas de Abril foi a liberdade sindical, contra os arautos da “unicidade sindical”, que mais não era que a forma de controle partidário do movimento livre de trabalhadores.
E em Maio reivindicamos, podemos, porque Abril nos abriu essas portas. E os milhares de trabalhadores livres pedem maior justiça social, aumento do poder de compra, estabilidade e segurança no emprego. E os Governos tentam responder, com maior ou menor grau de eficácia. Mas não conheço nenhum governo democrático deste País que quisesse prejudicar os trabalhadores.
Mas muito daqueles que atiram a primeira pedra, são aqueles que têm uma prática contrária ao que dizem defender.
Quero dar um exemplo recente: A Câmara de Almada, governada pelo PCP há largas décadas, abriu concursos destinados a dar execução a actividades de carácter permanente, designadamente nas piscinas municipais da Charneca e da Sobreda e da Biblioteca Municipal do Feijó. Mas optou por abrir concurso para entrada de precários, oferecendo para actividades de carácter permanente um vínculo a prazo de 6 meses, contra aquilo que o próprio mapa de pessoal para 2009 prevê.
Como pode o PCP ter um discurso ao contrário da sua prática? Mas há mais exemplos, como situações de trabalhadores que há anos têm desempenhado no Município funções em gabinete próprio, com mapas de férias aprovados, e que são tratados como trabalhadores independentes em regime de recibo verde.
Ou o que dizer da não atribuição de prémios de desempenho aos trabalhadores municipais, tal como previsto na lei? Preconceito ideológico, ou poupança de tostões num município que enche a boca para dizer que tem contas em ordem?
Ou o que dizer das dificuldades diárias de trabalhadores que, em surdina – sim, porque há medo entre os trabalhadores da Câmara de Almada, e cada um dos 1400 sabe que isso é verdade – se queixam de que a sua valorização de formação não é reconhecida, porque a Câmara de Almada coloca entraves às reclassificações e progressões nas carreiras.
Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, escrevia Sophia de Mello Breyner e cantava Francisco Fanhais. Aqui perto, junto de nós, há um discurso oficial e uma prática oficiosa. Pode ser ingenuidade da minha juventude, mas estou atento aos sinais que vou lendo, vou ouvindo e vejo o que se passa neste Concelho. E confesso que estou saturado de tanta demagogia, tanto clima de intimidação de adversários e tanta raiva que se sente naqueles que deveriam, mais não fosse por inerência das funções que desempenham, ser mais tolerantes e disponíveis para um debate político sério e elevado.
Mas é perceber que há muita gente com vontade de dar a volta, sair do medo, com vontade de crescer e inovar que me faz estar motivado para dar respostas a um novo tempo e ajudar a fazer acontecer o Futuro 35 anos depois.
(António Mendonça Mendes, Presidente da Concelhia do PS/Almada, publicado no "Notícias de Almada")

(

publicado por motssa às 11:13
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