Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Proposta para o Almaraz

Esta proposta foi apresentada na reunião de Junho da Assembleia Municipal e deu azo a palavras irritadas e mesmo pouco dignas da Presidente da Câmara:

Os projectos municipais são parte do sonho de um cidadão que ama a sua terra, seja ela a terra natal ou a terra de adopção.

Mas a verdade é que quem tem o poder define, determina, orienta – seja aberta e expressamente, ou de forma camuflada.

Quando, quem tem o poder, pede ou impõe a mudança está a abrir o alçapão da crítica:” se precisas de mudar é porque o que fazes não é satisfatório”.

Contudo, se organizo mudanças, exerço poder.

O poder de quem leva às mudanças pode ser exercido

- sobre o outro – “Eu tenho a verdade e imponho-a”;

- com o outro (empowerment) – reconheço que também és importante e deves fazer parte activa da mudança, por isso partilho contigo o poder, só que continuo a ser eu que to dou: sou superior a ti, mas generoso;

ou

- através do outro – somos efectivamente iguais, temos coisas diferentes, mas complementares para dar nesta mudança, neste projecto…

 

O Partido Socialista quer, nesta Autarquia, ser parte das mudanças e quer, apesar da falta de vontade expressa de quem tem o poder, partilhar ideias e continuará a apresentar propostas para os projectos que se vão delineando.

O Partido Socialista quer, com a sua diferença, ser complementar e encontrar-se com o poder instituído, numa soma mais rica do que as partes, numa gradação progressiva de equilíbrio e nivelamento na hierarquia relacional.

 

Assim, hoje estamos aqui para apresentar algumas das nossas ideias para o Projecto do Almaraz/Ginjal e para toda a Freguesia de Cacilhas que, do nosso ponto de vista reúne condições para um roteiro turístico-cultural como poucas outras freguesias do concelho.

A quinta do Almaraz, excelente estação arqueológica na opinião de respeitáveis arqueólogos é, desde logo um lugar especial pela sua configuração em “ilha” e pelas dificuldades de acesso.

De facto, foi esta dificuldade que a preservou até hoje da cobiça imobiliária e nos permitiu, em épocas mais sensíveis ao estudo do nosso passado colectivo, ainda podermos contar com este “mimo”.

Se as condições de acesso a este lugar de vista deslumbrante, tivessem sido mais facilitadas, hoje não teríamos a excelente estação arqueológica que, do nosso ponto de vista deve ser completamente preservada.

Deste modo, a nossa opinião para aquela zona de excelência consiste no seguinte: os 2 hectares que estão disponíveis para além das zonas onde decorre a exploração arqueológica, deverão ser aproveitados para a construção de um Museu relacionado com as pesquisas já efectuadas e com espaços dedicados exclusivamente a actividades culturais, como congressos, reuniões simpósios…

Depois há que construir um Roteiro Turistico-cultural que remeta para as diversas épocas da nossa história e que deixaram em Cacilhas as suas marcas tão valiosas.

Estarão neste caso, as salgadeiras romanas, projecto abandonado, mas que no consulado do Vereador Sérgio Taipas foram um sonho que não se viu realizado mas que merecem um tratamento adequado e tão digno quanto o seu valor histórico.

Também a Igreja de Cacilhas, construída após o terramoto de 1755, sobre, sobre o antigo orago de Santa Luzia, jóia da sua época, só por si mereceria uma visita a Cacilhas.

Também a zona do Ginjal, hoje completamente degradada, mas que foi, nos finais do século 19 e início do século 20, um grande entreposto comercial dos produtos que do Alentejo, das Beiras e de parte da Estremadura se destinavam a Lisboa e à exportação e que no seu final, a Quinta da Arealva já na freguesia de Almada, no meio de tanta degradação testemunha ainda hoje, os tempos em que as suas reservas vinícolas davam nome àquele rótulo.

Não deixaremos de falar do Hospital dos Ingleses, da gafaria nem mesmo da história recente da zona industrial mais conhecida do país, a Lisnave.

Far-se-ia, assim, um roteiro pela História, desde o tempo dos Fenícios (séc VIII AC), povo marítimo que era já possuidor de uma civilização notável e que como navegadores se fixaram em Cacilhas onde terão fundado uma colónia ou uma feitoria), passando pelos Romanos que aqui permaneceram durante a ocupação romana e aqui deixaram marcas indeléveis, como é o caso das referidas salgas, ou da Idade Média em que o porto de Cacilhas era o principal de toda a zona de Almada, pelas suas qualidades de ventos, de marés, o séc. XVIII, no pós terramoto, e mais recentemente (os finais do séc. XIX e início do séc. XX, com a enorme actividade comercial e industrial.

Terão os professores de Historia e os entusiastas por esses estudos, a possibilidade de usufruir da nossa riqueza patrimonial e nós ganharemos nos aspectos turísticos e culturais.

Queremos, pois, reiterar a nossa disposição para, em conjunto, com uma inequívoca atitude construtiva, podermos dar o nosso contributo para um projecto que reputamos de excepcional valor.

 

Almada, 29 de Junho de 2006

publicado por motssa às 18:29
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2 comentários:
De Zé Cacilheiro a 11 de Janeiro de 2007 às 19:20
Caros Socialistas
Isto é muita poesia para os ouvidos da Maria Emília, isto não dá dinheiro portanto é para ficar na gaveta, como tantos outros projectos.
A Srª Presidente na televisão para o povo ouvir diz que Almada é cultura.nMas a realidade é outra, Almada está a tornar-se num concelho de bairros sociais com algumas ilhas.
Parabéns pelo Blogg
De motssa a 12 de Janeiro de 2007 às 11:26
Zé Cacilheiro

Obrigado pelo seu incentivo...
Quanto ao Projecto do Almarqaz também acredito que possa ser mais um para ficar na gaveta, como tantos ouros- plano de pormenor de Cacilhas, Costa da Trafaria, Almada Nascente... - contudo, o PS quis apresentar a sua visão para um espaço que consideramos excelente.
Aguardo novas suas

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